Duque de Caxias com ânimo renovado

Nesta quinta-feira (31), Duque de Caxias comemora 71 anos de emancipação política num panorama político mais tranquilo e promissor. Em 31 de dezembro de 1943, quando o então 8º Distrito de Iguaçu (atual Nova Iguaçu) foi instalado, numa cerimônia realizada num casarão à beira da Estrada Rio Petrópolis que pertencia ao empresário e líder político Tupynambá de Castro, o jovem município contava com quase 100 mil habitantes e era formado pelos distritos de Caxias (sede), Meriti (atual São João de Meriti e Atura (atual Campos Elíseos). Pouco tempo depois, em 21 de agosto de 1945, Meriti foi emancipado, e Xerém desmembrado de Iguaçu e Estrela (atual Imbariê) de Magé, que passaram a integrar o novo município.

Em 1950, o IBGE revelava que Duque de Caxias chegara a 123 mil habitantes, saltando para 243 mil em 1960, 431 mil em 1970, isto é, em apenas 20 anos, a população do novo município quadruplicou, conforme registrou o professor e memorialista Stélio Lacerda em seu livro “Caxias de Ontem”, publicado em 2005. Junto com a expansão demográfica, também cresceu o parque industrial. A partir da abertura da estação ferroviária de Meriti (1913), a região começou a atrair indústrias, como a Bhering, uma fábrica de chocolate com sede na região portuária do Rio de Janeiro, que instalou uma unidade fabril na divisa da Vila Meriti com a Vila Centenário (Av. Dr. Manoel Reis), terreno hoje ocupado por um supermercado. Na época, a Bhering era detentora da marca Café Globo. Ao lado da fábrica de doces, surgiu uma fábrica de vidros (Merity), hoje sede do 15º Batalhão da PMRJ, Além dos vidreiros, a nova fábrica também trouxe os sambistas da Mangueira, que fundaram as escolas de samba Capricho do Centenário e Cartolinhas de Caxias, que se juntaram na atual Grande Rio.

Também vieram a capixaba Cia. União de Tecidos (fabricação de sacaria de juta para exportação de café), a Indústria Rei (que fabricava o primeiro chuveiro elétrico do País), a Fábrica de Explosivos Rupturita, num galpão lado da estação (Travessa Vitalina), que deixou como herança a Escola Regional de Meriti, a querida “Mate com Angu”, fundada pela professora Armanda Álvaro Alberto, filha dos donos da fábrica de explosivos, a FNM (1942) e, em 1961, a Refinaria Duque de Caxias. Para 2015, novos empreendimentos industriais estão em andamento, inclusive a fábrica da britânica Rolls Royce, de motores para plataformas de petróleo e uma das primeiras unidades da empresa na América do Sul, um investimento de cerca de US $ 80 milhões de dólares, que deverá entrar em operação em fevereiro próximo.

Em recente encontro no Teatro Municipal Raul Cortez, uma obra que leva a assinatura de Oscar Niemeyer, o prefeito Alexandre Cardoso anunciou o início de um ciclo virtuoso de obras nas áreas de mobilidade urbana - inclusive uma linha de BRTs ligando o Terminal José Carlos Lacerda a Santa Cruz da Serra, reduzindo o tempo de viajem e proporcionando aos passageiros mais conforto e segurança, uma ciclovia de 120 Km - e de saneamento, como a dragagem dos rios Meriti, responsável pelas enchentes que atingem não só o comércio do calçadão da Nilo Penha, no centro, mas também os moradores dos bairros Laguna e Dourados, Bar dos Cavaleiros e Prainha, mesma situação do rio Iguaçu, que prejudica os moradores de São Bento e Pilar, mas também as indústrias instaladas no polo gás-químico em torno da Refinaria Duque de Caxias, unidade de refino que está sendo ampliada pela Petrobrás.

Finalmente, Duque de Caxias está pronta para entrar no Século XXI, com ânimo renovado de sua população que, segundo o IBGE, era de 855.048 mil habitantes e, em 2014, foi estimada em 878.402, um crescimento pífio diante do crescimento do mercado imobiliário e do surgimento de novos shoppings acoplados a apart hotéis e prédios comerciais.