Dica: "A cidade não progrediu, vive um retrocesso"

  • Publicado em Matérias

Dica Reproção SiteO Capital conversou com Jorge Moreira Theodoro, o Dica. Nome forte na cidade da Baixada Fluminense, o político que foi vereador por duas vezes em Duque de Caxias e deputado por cinco mandatos, disputou o segundo turno para prefeito e obteve quase 40.000 votos para deputado federal no último pleito, falou sobre o governo federal, política, a administração local e eleições. Duquecaxiense e morador da Prainha, o suplente de deputado federal contou que construiu sua vida, sua família e criou seu filho em Caxias.

 

Capital: Como está a sua vida política hoje?

Dica: - Está limitada a fazer contatos, montando a nominata do partido. Representando o Partido Liberal (PL) aqui em Duque de Caxias e aguardando algumas deliberações partidárias no que diz respeito ao governo do estado e ao município.

Já existe algum convite para sua candidatura a prefeito?

- Hoje o partido entende que deve ter candidatura própria nas cidades mais importante, e eu, sendo suplente [Dica é suplente de deputado federal], tendo quase 40.000 votos, o partido entende que se trata de uma candidatura que pode prosperar e que será importante para o Partido Liberal. Duque de Caxias é uma cidade muito importante e não vai deixar de ter candidatura própria. Somos um dos partidos que mais elegeram, é uma das bancadas de maior representatividade no congresso, não pode deixar em branco uma cidade tão importante como Duque de Caxias.

O PL já está negociando apoios?

- Na verdade a gente tem conversado com muitos partidos. Temos uma definição de alguns partidos.

Já podem ser citados?

- Não, é precoce. Sabemos que serão muitos, com as nominatas é que vamos definir as alianças. Até porque hoje a Coligação só pode ser na majoritária, ela não pode ser na proporcional. Pelo número de candidatos e de partidos certamente será impossível que mais de 12 partidos obtenham uma nominata completa. Os que fizerem diferente disso será para angariar cabos eleitorais. Ludibriar alguns, você pode se filiar e acabar sendo usado. Nossos adversários fazem muito isso, eles não vão ter o número suficiente para eleger vereador. Disparou

Como está essa abertura em seu partido? Tem espaço?

- Tem! Nós estamos tentando montar pelo menos quatro partidos aqui na cidade. A dificuldade é a mesma de todos os partidos, a obrigatoriedade de candidata mulher. Dificulta muito a composição de um partido, em Duque de Caxias tem que ter 13 mulheres. Nessa hora é que vem os problemas dos “buchas”, das candidaturas fantasma... Eu espero que a justiça eleitoral fiscalize com mais rigor essa eleição. Já que deram a cota, eles têm que analisar mais, porque o cara bota a esposa, a tia, coloca a irmã para fazer número e aquela pessoa acaba fazendo zero voto. A mulher pode ter pouco voto, assim como homens também podem, mas elas tem que fazer campanha, tem que se apresentar ao eleitorado, disputar, Tem que apresentar sua proposta. Não pode inventar candidatura.

O espaço está aberto para as mulheres no PL?

- Temos bastante mulheres, o que é melhor, mulheres candidatas, que querem enfrentar as urnas, e a gente faz um chamamento, que a mulher faça uma reflexão. Entendemos que os direitos são iguais, então ela tem que se apresentar para o voto, ela tem que ocupar seu espaço, lugar de mulher é na política, para defender o seu espaço, a sua cidade. E eu tenho certeza que muitas mulheres, se eleitas, vão contribuir muito para a nossa cidade.

OLHO2Como você vê o chamado “fenômeno Bolsonaro” das últimas eleições?

- O fenômeno aconteceu sim, e eu prefiro crer que ele não vai durar muito. O Bolsonaro tem que deixar de ser candidato a presidente e virar Presidente da República. Ele tem que agir como Presidente, precisa ter as ações que ele falou que ia tomar. Vejo com muita preocupação algumas ações. O Congresso é importante, você tem que dialogar, tem que entender as suas forças políticas. Tem que valorizar o congresso. Estou preocupado com a reforma da previdência, de prejudicar, como nós já estamos vendo, os pensionistas e aposentados, prejudicar aqueles que trabalharam muito. Não adianta querer hoje, com menos de um ano, querer ajeitar o Brasil e na verdade prejudicar milhões de brasileiros. Tem que ser com calma e coerência. Eu espero sinceramente que as coisas melhorem, todo mundo torce para que as pessoas possam ter uma vida melhor.

Como avalia o cenário da política municipal?

- Eu como candidato, daquela vez derrotado para prefeito no segundo turno, acredito que a própria população de Duque de Caxias vê que quem ganhou não está colocando em práticas as propostas que foram apresentadas para a cidade. Num momento propício a gente deve falar a respeito, mas a cidade está percebendo que falta muita coisa. Não se vê progresso, você não vê a cidade sendo contemplada com emendas no orçamento, vê as pessoas dizendo que trouxeram verba, mas não materializa nada.

- A cidade não progrediu, vive um retrocesso, pagamento dos pensionistas e aposentados atrasado, somente esse ano conseguiram colocar em dia o pagamento do pessoal da educação, ainda assim sendo questionado por que foi utilizando o FUNDEB, isso está sendo questionado se poderia ou não ser utilizado. Você não vê melhora, a cidade esburacada. Vemos nossa cidade pintada de cal, mas na verdade existe o caos. A gente fica muito triste porque é uma cidade que poderia ser melhor administrada.

 Temos visto uma relação harmoniosa entre você, o ex-prefeito Zito e outros políticos de Caxias. O que isso significa?

- Significa que nós estamos fazendo parte da oposição, que não estamos satisfeitos. Na política existe isso. Montamos um caminho de oposição, mas uma oposição consciente, não oposição de baixaria, de questionar as ações pessoais. É uma oposição de governo, de gestão, onde a gente entende que muitas coisas que estão sendo feitas dificilmente serão mantidas. O que está sendo feito, tirando de um lugar e colocando em outro, eu vejo com muita preocupação, porque na verdade não terão condições de dar continuidade. Eu falava que a cidade não precisava de nada novo, precisava que mantivesse o que nós tínhamos, e nós estamos vendo as escolas caindo aos pedaços, creches que não foram construídas e creches antigas sem reforma.

- São os mesmos discursos, vou te dar um exemplo: A UPA Infantil, desde que foi inaugurada, entre 70 e 60% é utilizada por pessoas de fora, mas isso foi na gestão passada, nessa, e vai ser em outras. O Hospital Moacyr do Carmo foi construído em local impróprio. Como é que você constrói um Hospital em uma BR e não quer que 70 a 60% das pessoas sejam de fora? Agora, o sistema Único de Saúde permitiu tudo isso. O SUS permite que você seja atendido em qualquer lugar. Explicou - A gente tinha sim é que modernizar o Duque de Caxias que é o nosso hospital. Era inclusive uma promessa minha e também do atual prefeito, não ser ambulatório como está sendo. Era virar um hospital de fato, com cirurgias e internações, é um desejo antigo nosso e eu espero um dia que a cidade possa ter de volta o seu hospital em plena atividade, é o desejo de todos nós.

OLHO- A passagem continua cara, Caxias é o único lugar onde a passagem inteira é R$ 4,25 e a meia é R$ 4. Se eu fizer essa conta para alguém o cara vai falar que eu sou o mais ignorante do mundo. Mas eu quero crer que um dia isso vai ser corrigido.

- Achei uma grande obra o Hospital do olho, mas se você for lá ou ligar hoje vai ser atendido em seis ou sete meses. Agora, se você tiver um apadrinhamento político, falar com um deputado, com o prefeito ou alguns vereadores, três ou quatro dias depois será atendido. Eu lhe pergunto: Quantas pessoas não têm acesso a isso? E você vê ali carros de Casimiro de Abreu, Volta Redonda, Nova Iguaçu... Como é que essas vans, esses carros tem acesso direto? Alguém do executivo Municipal, Isso não é dito por mim, é dito pelo morador que fica ali na dificuldade. A ideia foi boa, a gente também tem que dizer que as intenções foram boas, mas agora está sendo utilizado eleitoralmente. Vai ser atendido quem eles querem. Sem contar que as operações muito rápidas, aqueles mutirões, botam em risco as pessoas, estou vendo centenas de pessoas fazendo correções, operação de problemas de visão. Isso tem que ser observado pela prefeitura. Mas volto a dizer que a intenção foi boa, a ideia foi boa, é importante para a nossa cidade tudo que vem somar em benefício da população, é muito importante e a gente tem que dar crédito também. Fica a crítica, mas espero que entendam que minha crítica é construtiva.