Polícia Federal prende deputados do Rio de Janeiro

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A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (8) uma operação para prender deputados como parte das investigações a participação deles em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual. A operação, chamada “Furna da Onça”, é um desdobramento da Operação Cadeia Velha, que levou à prisão os deputados Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, todos do MDB.

 

Estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e 47 mandados de busca e apreensão. Alguns mandados estão sendo cumpridos dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo a PF, a organização criminosa pagava propina a vários deputados estaduais, a fim de que patrocinassem interesses do grupo na Alerj.

“MENSALÃO”

De acordo com as investigações, o “mensalão”, que seria pago pelo ex-governador Sérgio Cabral, era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais. Ainda de acordo com a Polícia Federal, parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do estado, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada. Os investigados devem responder, na medida de suas participações, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

Além de Albertassi, Melo e Picciani, que tiveram novas ordens de prisão, outros sete deputados estaduais tiveram a prisão decretada: André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius “Neskau” (PTB). Entre os outros alvos, estão o secretário estadual de Governo, Affonso Monnerat, o presidente do Detran/RJ, Leonardo Silva Jacob, e seu antecessor Vinícius Farah, recém-eleito deputado federal pelo MDB.

MOVIMENTO

O esquema de compra e venda de votos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) movimentou ao menos R$ 54 milhões, segundo informou o superintendente da Polícia Federal, Ricardo Saadi. A declaração foi dada em entrevista coletiva nesta quinta-feira (8), após a deflagração da Operação Furna da Onça, que investiga um suposto “mensalinho” na Alerj. Os valores chegavam a R$ 900 mil.

A investida cumpriu, até as 11h, 20 de 22 mandados de prisão - dez dos quais, contra deputados estaduais fluminenses, cinco deles reeleitos. “A prisão temporária foi decretada e não será submetida à Alerj”, destacou Carlos Aguiar, do MPF. Também foi alvo da operação o secretário estadual de Governo, Affonso Monnerat, apontado como o canal entre Alerj e Palácio Guanabara. Estão foragidos o presidente do Detran, Leonardo Jacob, e seu antecessor, Vinícius Farah, em cujas gestões, segundo a força-tarefa, lotearam-se cargos como parte das vantagens indevidas.

Alguns dos alvos da operação:

Affonso Monnerat (secretário estadual de Governo, preso);

André Correa (deputado estadual do DEM reeleito e ex-secretário estadual de Meio Ambiente, preso);

Chiquinho da Mangueira (deputado estadual do PSC reeleito e presidente da escola de samba, preso);

Coronel Jairo (deputado estadual do MDB não reeleito, preso);

Edson Albertassi (deputado afastado do MDB já preso em Bangu);

Jorge Picciani (deputado afastado do MDB já em prisão domiciliar;

Leonardo Jacob (presidente do Detran, foragido);

Luiz Martins (deputado estadual do PDT reeleito, preso);

Marcelo Simão (deputado estadual do PP não reeleito, preso);

Marcos Abrahão (deputado estadual do Avante reeleito, preso);

Marcus Vinícius Neskau (deputado estadual do PTB reeleito, preso);

Paulo Melo (deputado do MDB afastado já preso em Bangu);

Vinícius Farah (ex-presidente do Detran, eleito deputado federal pelo MDB, foragido).