Não basta dar o peixe. Certamente as mulheres querem aprender a pescar

Aproveitando ainda as comemorações do Dia Internacional da Mulher, que na verdade se estende por todo o mês de março, quando reconhecemos de forma oficial ser a Mulher o principal esteio de nossa sociedade, lembramos que o dia 08 de Março foi escolhido, em 1975, pela Organização das Nações Unidas - ONU, através de um decreto, tendo como objetivo a reflexão da situação dessas em todo o mundo, e não para ser apenas mais uma data festiva.

 Pensarmos onde avançamos e onde estamos vivendo os mesmos estigmas de séculos atrás. É o caso da violência contra a mulher. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, a cada hora e meia, uma mulher morre vítima de violência no Brasil. Por dia são mais de 15 óbitos. A Lei Maria da Penha em vigor desde 2006 foi, sem dúvida, um avanço, mas o resultado prático, qual seja o de coibir os abusos, ainda é tímido.

O voto feminino no Brasil foi instituído em 24 de fevereiro de 1932. Um marco histórico. Mas infelizmente esta conquista não significou Políticas Públicas melhores. A dificuldade do acesso à Saúde de qualidade, a demora em marcações de exames como a mamografia, a falta de vagas para um pré-natal digno e uma gestação segura, ainda é a grande realidade que vivemos tanto nas capitais quanto  no interior do País.

E o que dizer do mercado de trabalho? Desde os idos de 1800, como mostra a história, as mulheres querem valorização profissional, igualdade de condições e oportunidades. Facilitar que as mulheres saiam de casa para, não só contribuir com a melhoria de renda de sua família, mas para sua própria dignidade, o Governo deveria dar  condições de deixar seus filhos em local seguro, melhorando o número de vagas em creches, valorizando uma educação de qualidade para os jovens.

E a pergunta é: o que quer o Governo Federal?  No ano passado o investimento destinado para o Bolsa Família foi na ordem de R$ 24 bilhões (Fonte: Caixa). Em contrapartida, o repasse, segundo o Portal da Transparência, para o Programa de Implantação de Escolas para Educação Infantil foi de apenas R$608 milhões.

Estamos transformando o que deveria ser uma ferramenta de apoio temporário em uma situação permanente, à medida que investimos mais em “dar o peixe do que ensinar a pescar”. Que o Governo Federal continue a investir nas famílias que necessitam do Programa Bolsa Família para sair da situação sub-humana, mas que entenda que depois de dois séculos o que as mulheres continuam a almejar é emprego, dignidade e uma boa educação para que seus filhos não sejam uma geração de novos dependentes do Bolsa Família.

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