“Que em um futuro próximo não tenhamos que lutar para que uma determinada parte de um mesmo povo tenha um Dia apenas para celebrar”

Qual a lição que devemos tirar do Dia da Consciência Negra comemorado no dia 20 de novembro? Afora ser um feriado em alguns Estados e muitos municípios, deveríamos nos debruçar sobre o tema e nos perguntarmos por que o Brasil, um país formado por, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, de 2010, cinquenta por cento de negros e pardos ter que separar um dia para remeter-nos ao preconceito. A diferença não só de raça e cor, mas de acessos e oportunidades.

 É louvável termos uma data para lembrar e homenagear Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, assassinado nesse dia pelas tropas coloniais brasileiras. O herói da resistência! Um dia para recordarmos nossas raízes. A triste chegada dos Navios Negreiros, mas a felicidade em termos esta população formando  uma Nação recém-descoberta, enriquecendo sua cultura, língua, dança, religião. A herança de um povo guerreiro, altivo e que jamais desistiu do Brasil. Ao contrário o adotou e sonhou com a liberdade para sua descendência.

A Lei Federal 12.519, de 2011 que declarou o Dia Nacional da Consciência Negra é um avanço. Mas deveria ser apenas um primeiro passo. Uma primeira vitória. O que deveríamos comemorar, fazendo coro com as “frases feitas”, tão repetidas nas Redes Sociais nestes últimos dias, é a correta aplicação, a prática e a realização  de nossa Constituição conforme seu Artigo 3º  que diz que: constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza, reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Comemorar um país com consciência apenas!

Comemorar o fato de todas as nossas crianças, desde a primeira infância, terem asseguradas educação de qualidade, alimentação saudável, oportunidades iguais e escolherem o futuro de maneira justa e igualitária; Comemorar o fato de nossos jovens estarem livres das drogas, livres da violência  estampada no índice de homicídios que atinge, principalmente, a população negra; Comemorar a valorização do trabalho, os direitos sociais, a melhoria  dos serviços públicos  ainda mais limitado aos que estão em situação de risco; Comemorar que nossos velhos brasileiros, negros ou brancos, tenham uma aposentadoria digna onde não lhes falte remédios e um teto; Comemorar que esta Casa seja a representação de cada  cidadão, de todos os segmentos, de diversas raças. Mas que não deixe como legado a aprovação de leis que segregam ainda mais, sem resolver o maior de todos os problemas: a justiça social, o fim do desvio do dinheiro público, a falta de aplicação de verbas em saúde e educação.

Que em um futuro próximo não tenhamos que lutar para que uma determinada parte de um mesmo povo tenha que ter “Um Dia Nacional da Consciência” e  lembrar-nos que a desigualdade ainda é a mesma, com uma capa de urbanidade,  mas  que traz  ainda o sofrimento, a incerteza do porvir, e as mazelas dos Navios Negreiros.

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