A mulher e o mercado de trabalho

Neste mês de março, quando o Dia Internacional da Mulher se destaca nas celebrações, jornais voltam a chamar atenção para o tratamento diferenciado entre os sexos no mercado de trabalho. Muitos dos levantamentos apontam a desigualdade na remuneração paga ao homem e à mulher, mesmo quando exercem funções semelhantes. Segundo o IBGE, no ano passado uma profissional do sexo feminino ganhava o equivalente a 72,3% do homem. Em 2003, elas recebiam cerca de 70,8%. Embora a situação tenha melhorado, esta diferença vem se reduzindo em um ritmo ainda lento.

A ampliação dos direitos das mulheres deve acompanhar as conquistas que elas já vêm obtendo com esforço e coragem. Ao longo das últimas décadas, elas vêm quebrando tabus, ocupando vagas até então exclusivamente masculinas. Um exemplo está nas plataformas de petróleo. Na década de 1970, havia apenas homens trabalhando embarcados na bacia de Campos. Hoje, as operações não podem prescindir da força feminina. E essa participação não é exclusiva da Petrobras. As companhias privadas que têm contratos com a estatal já empregam um grande contingente de trabalhadoras.

Na construção civil, setor considerado até pouco tempo um reduto masculino, o quadro começa a dar sinais de mudanças. Nas obras dos estádios de futebol visando a Copa de 2014, encontramos mulheres tanto nos trabalhos mais pesados como em funções de comando. São engenheiras, arquitetas, motoristas, auxiliares de serviços gerais ou cozinheiras. E a tendência é que a mulher esteja cada vez mais presente nos diversos setores da economia nacional.

A discriminação no mercado de trabalho é vergonhosa e precisa ser combatida por toda a sociedade nas esferas política e governamental. Neste momento, o Congresso Nacional discute uma iniciativa que estabelece punição para empresas que insistem em pagar valores menores para as trabalhadoras. A lei será muito bem-vinda, mas é preciso manter uma postura vigilante para que homens e mulheres possam ter suas diferenças valorizadas, o que é bom; mas a desigualdade jamais deve ser admitida, tendo em vista  que é uma forma intolerável de injustiça.