Teremos um Governador alfabetizador?

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Professor Manhães é postulante a pré-candidato a Governador do Estado do Rio pelo Partido Pátria Livre (PPL)

IMG 20171224 101503183Mario Manhães Mosso nasceu no Rio de Janeiro e tem 51 anos. É casado e pai de quatro filhos. Administrador, professor, mestre pela Universidade Federal Fluminense e doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem 18 livros publicados. É um nome diferente, porque se trata de um alfabetizador, como Paulo Freire. Em entrevista exclusiva ao Capital, vamos conhecer um pouco mais desse homem e de suas propostas, caso consiga a pré-candidatura e, quem sabe, chegar à vitória.

 Quem é o Prof. Manhães?

Sou professor e administrador.

O senhor é candidato ao Governo do Estado do Rio?

Não, sou postulante a pré-candidato ao Governo do Estado do Rio. Pela lei, as candidaturas só podem acontecer em julho de 2018. Mas estamos conversando.

Mas então está tentando ser candidato?

Vamos ver o que é melhor para o Pátria Livre. Não posso falar por eles nesse momento. Sou filiado e tenho a autorização do Partido para falar com vocês e com toda a mídia. Acho que é um bom começo.

 

Já tem um projeto?

Há dois anos. Sou administrador e professor de planejamento estratégico. E um governante não pode esperar que tudo dê certo e só depois começar a planejar. São 92 municípios e muitos problemas. Há dois anos já sabíamos qual o pior IDH, onde tem lepra, as referências de IDEB, etc.

Podemos falar um pouco de projetos?

Sim. E agradeço a oportunidade do Capital para colocar minhas ideias.

Como enfrentar o problema da saúde?

A essência do projeto é aumentar a atenção para as causas. Atualmente gastamos muito mais com as consequências. Por exemplo, gasta-se muito mais com o tratamento a quem está com dengue do que com a prevenção à doença. E por isso gastamos muito mais, gastamos mal. Assim, a medicina sanitarista é prioridade: água e esgoto. Não podemos ter pessoas ainda hoje no Rio morrendo de diarreia. Não é possível haver ainda lepra no estado, raiva etc. O custo da medicina de trauma cairá absurdamente, porque cairá o trauma. E para os profissionais da saúde, que se respeitem e melhorem os plantões. E com o trabalho de combate às causas, a carga deles irá diminuir. O cidadão do Estado deverá ser o menos sedentário do país, e isso trará um impacto tremendo na saúde e nos custos. Estamos, falando de cigarro, câncer, diabetes.

 

E seu projeto para a Educação?

Se o Pátria Livre achar que sou a pessoa indicada, a educação será a prioridade. Porque todas as outras se originam na educação: a violência é falta de educação, os problemas ambientais, as doenças da falta de higiene, a economia, tudo é reflexo da política educacional. Mais uma vez, o foco são as causas. Então, sobre a alfabetização: o fundamental I e fundamental II têm que conseguir alfabetizar. Não estão conseguindo. Sabemos o porquê, mas não podemos falar agora, temos de guardar algumas surpresas para o futuro. Mas isso mudará. Para atrairmos empresas, precisamos de bons técnicos. Dessa forma, a FAETEC será a melhor instituição de ensino técnico, a melhor! Em relação ao IDEB (Índice de Educação da Educação Básica) a meta é ousada e corajosa: 6.0. Isso significa dois pontos a mais que a média Brasil, colocando o Rio como o melhor destino para as empresas. São Paulo que se cuide, porque a ideia é assumir a primeira posição com sobra.

E os Transportes?

O transporte alternativo é uma realidade. O povo não vive mais sem ele. Então, precisamos de maior organização, mas também de ajuda a esses lutadores, de forma que seja bom para todos: proprietários, condutores e passageiros. Já temos alguns projetos prontos. O ponto mais importante para todos os modos de transporte é dar o que o cidadão mais quer. O que é? O povo não quer mais viajar como numa lata de sardinha. Dignidade no transporte.

Como isso é possível?

Trabalharemos com as empresas competentes e conseguiremos o que for melhor para todos. Claro que é possível. O que falta hoje em dia é vontade, sentar e conversar. Outra questão estratégica é trabalharmos mais com os outros estados nas estruturas de ligação e nas rotas de comércio e indústria.

E também temos de fiscalizar aqueles que não estão dando o transporte.

E a Segurança, é um problema maior?

Atacar o presente, mas principalmente o futuro. Para o presente, precisamos de uma perfeita harmonia entre as polícias e priorizar o trabalho de inteligência. E precisamos, sobretudo, ouvir os policiais. Parar de ouvir quem não vai para a rua. Há décadas não resolvem o problema dos turnos dos policiais. Como um cirurgião faz uma cirurgia sem dormir? Com o policial é o mesmo. Eu converso frequentemente com os policiais. Temos que atacar as causas da violência. Então a tarefa número um, que é de educação e de segurança: ocupar todas, repito, todas as crianças de onze anos para cima. E transformar totalmente o sistema recuperação de menores infratores, para ele [o sistema] deixar de ser uma escola de bandidos. Infelizmente esse retorno demorará mais de quatro anos, mas é importante atacar a causa. Em seis anos começaremos a ter menos jovens indo para a prisão. E consequentemente o sistema prisional também melhorará sobremaneira, os presos finalmente terão um sistema de recuperação. Mas isso não se faz em um dia. Como disse, leva pelo menos seis anos.

Cultura e Esporte?

Na Cultura, mais uma vez, se o partido Pátria Livre permitir essa candidatura, esperamos contar com a ajuda de pessoas que conhecem a realidade cultural do Rio, como o Sr.Machine e um grupo técnico de gabarito. O Rio não pode ficar sem samba, sem música, sem Carnaval, a cultura clássica de todas as artes. A gente resolve isso com criatividade. O esporte está atrelado obrigatoriamente à Educação e à Saúde. Então, já falei na saúde no combate ao sedentarismo, um foco olímpico nas escolas públicas, uma preocupação aeróbica, porque é o mais importante para a saúde, e os esportes coletivos, porque precisamos melhorar a cooperação, a tolerância e o respeito ao próximo.

E sobre o município de Duque de Caxias?

Duque de Caxias, O Pacificador. O segundo município que mais produz no Rio, com mais de 800 indústrias, precisa ajudar essas empresas. Todos os setores, cada um com sua característica e com o apoio técnico do Estado. Mas a indústria de Duque de Caxias terá um tratamento especial com o enfoque na redução do custo logístico. A cidade merece isso. Duque de Caxias salva diversos municípios da penúria. Sem Duque de Caxias, o Estado entra certamente num patamar crítico. As ideias centrais são para todos os municípios, mas cada um tem particularidades e objetivos principais a atacar. Duque de Caxias é o custo logístico, estruturas de apoio.

E que história é esse de Alfabetizador? Seria um novo Paulo Freire?

De maneira alguma. Paulo Freire é o nosso ícone, inigualável. Sou só mais um alfabetizador. Em 2001 comecei a desenvolver um método de alfabetização. Alfabetizava mendigos e até hoje trabalho com pessoas carentes nesse serviço. São mais de 15 anos de trabalho e aprendizado. Já conseguimos isso com mais de 40 pessoas, incluindo idosos. É a coisa melhor do mundo ensinar uma criança a ler. Por isso alguns falam: alfabetizador. Mas eu sou um professor. E minhas matérias principais são planejamento estratégico e administração.

 

O senhor tem aparecido na mídia ultimamente, falando sobre Gestão Pública em vários canais de televisão. Fale sobre essa questão de empreendedorismo?

Sou de fato empreendedor. Já tive várias empresas, inclusive restaurantes. Admiro profundamente os empreendedores e os empresários. A vida deles é muito dura, de desafios, mas vencedora. O Rio de Janeiro será o berço de grandes empreendedores, caso o Pátria Livre consiga eleger um candidato. Podem contar comigo para o que for preciso.

Muito obrigado pela entrevista.

Eu que agradeço pela oportunidade que vocês me deram. Ainda temos muito terreno a percorrer. E vamos continuar conversando.