Vereadores assinam pedido de CPI para investigar construção de cemitério público em Caxias

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“Temos algo mais importante como educação, saúde, segurança e o funcionalismo público”, diz Valdecy

             

Vereadores assinam pedido de CPI foto 1 Reprodução Facebook

A polêmica construção de um cemitério público em Duque de Caxias em um momento de crise financeira pela qual passa o município,       foi parar na Câmara Municipal. Um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito foi protocolada na manhã do último dia 22 pelo vereador Valdecy Nunes da Rosa Filho, o Valdecy (PP). O documento, segundo o parlamentar informou ao Capital, trás a assinatura de outros nove vereadores:

Beto Gabriel (PV), Catiti (Podemos), Cowboy Beleza (PP), Deise do Seu Dino (PTC), Delza Oliveira (PRP), Guilherme é a Esperança (Podemos), Juliana do Táxi (PSD), Kiko Xerém (PSL) e Zezinho do Mineirão (PMDB). O próximo passo, segundo Valdecy, é definir os membros da Comissão. Caso a CPI não tenha prosseguimento, disse que recorrerá ao Poder Judiciário. Informações não oficiais dão conta que alguns vereadores querem retirar assinaturas do pedido de CPI. Isso, porém, não está previsto no Regimento Interno do Legislativo, conforme é do conhecimento de todos os membros da Casa.

Vereador pede CPI para investigar Reprodução

Este é o segundo pedido de CPI no Município - o primeiro foi para investigar o setor de transporte público, envolvendo abuso no reajuste das tarifas e a má qualidade dos serviços prestados pelas empresas. Por decisão da Comissão de Justiça do Legislativo, o pedido foi arquivado.

 

POLÊMICAS - A construção do cemitério é outra iniciativa polêmica do prefeito, que vem sendo chamado nas redes sociais de Odorico Paraguaçu, em referência ao famoso personagem criado por Dias Gomes na série “O Bem Amado”, e queria a qualquer custo inaugurar um cemitério na fictícia cidade de Sucupira, exibida pela Rede Globo com grande sucesso. Valdecy justifica seu pedido alegando falta de transparência. “Fala-se em crime ambiental, falta de licitação, o valor da obra, há questionamento sobre a propriedade do terreno, pois apareceu um dono. Isso tem que ser esclarecido através de investigação”, disse.

            De fato, os problemas que cercam a obra não são poucos. Em primeiro lugar, não há transparência no gasto das obras, que estão em torno de R$ 650 mil, segundo o prefeito. O gasto anual do município com o cemitério será de cerca de R$ 8 milhões. Além da posse do terreno ser reivindicada pelo empresário Sebastião Grusman, a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) e o Ministério Público Federal investigam denúncia de crime ambiental. Simultaneamente, uma decisão do desembargador Luiz Henrique Oliveira Marques, da 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no último dia 11, proibiu a Prefeitura de colocar o cemitério em funcionamento. A Prefeitura, no entanto, parece ignorar essas investigações e prossegue com as obras. Para o vereador Valdecy, isso é “falta de respeito com o Judiciário”. Sobre a necessidade dessa obra, o parlamentar acha que não é oportuna. “No momento de crise temos algo mais importante como educação, saúde, segurança e o funcionalismo público”, concluiu.

“Ninguém vai enterrar a Educação”

Vereadores assinam pedido de CPI foto 2 Jornal Capital Marcelo Cunha 3 

No último dia 15, o canteiro de obras foi alvo de manifestação do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). O protesto foi contra o gasto que está sendo feito na obra enquanto os salários dos servidores continuam em atraso e supressão de vantagens conquistadas no Plano de Carreira do magistério. Dali, seguiram com o protesto até a sede da Prefeitura, em Jardim Primavera, durante o percurso, uma das músicas cantadas dizia: “A Educação está viva e ninguém vai enterrá-la, nem WR [Washington Reis]”.