O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) negou nesta segunda-feira (31) ter recebido US$ 16,5 milhões em propina de Eike Batista em contas no exterior.

No entanto, Cabral, admitiu ter sido beneficiado por caixa dois do empresário, o que chamou de "ajuda financeira de campanha" de R$ 30 milhões na campanha de 2010. Cabral acrescentou ter "relação institucional com Eike", que cresceu durante o seu governo devido ao desejo do empresário de ajudar o Estado. Cabral alega ter usado os recursos em campanhas e não para enriquecer. "Jamais estabeleci qualquer tipo de toma-lá-da-cá com o empresário Eike Batista. Li na denúncia do Ministério Público muitos absurdos", afirmou o ex-governador.

Durante os questionamentos do Ministério Público Federal, o juiz Marcelo Bretas chegou a intervir e ameaçar encerrar o interrogatório, quando o representante do órgão e Cabral começaram a discutir. O MPF questionou o porquê de os doleiros terem entregue US$ 100 milhões à Justiça se contra eles não havia nenhum processo. Segundo o MPF, o dinheiro estava em nome do ex-governador.

O MPF alega que havia cobrança de propina na gestão Cabral: "Se teve a taxa de 5% na Secretaria de Obras eu não tenho nada a ver com isso. O secretário de obras é o atual governador", respondeu o ex-governador, bastante inflamado.