O efeito das pesquisas eleitorais

Por que mesmo com níveis de confiança tão elevados (por exemplo, 95%, 99%) e margens de erro relativamente pequenas (tais como 3%, 2%) ocorrem discrepâncias entre os resultados finais dos pleitos e as estimativas dos institutos de pesquisa? Por que as tais pesquisas são tão desacreditadas por quem está “atrás” e tão explorada por aqueles que “lideram as corridas”?

É oportuno salientar que a pesquisa eleitoral detecta o sentimento da população naquele determinado instante de tempo em que está sendo realizada. É, como se costuma dizer, uma fotografia daquele momento específico. Esse sentimento pode mudar sob a influência de vários fatores: propaganda, desempenho dos candidatos, fatos novos, guia eleitoral, alianças políticas, etc. Naturalmente, quanto mais próximo do dia da eleição, mais as estimativas tendem a bater com os números oficiais, porquanto tais influências já estarão cristalizadas no eleitor (vide pesquisa de boca de urna, a que geralmente apresenta menor diferença entre as estimativas e os resultados oficiais porque capta a decisão do eleitor logo depois de ele votar).

Mas é neste “meado” de campanhas eleitorais que as pesquisas causam efeitos muito contraditório. Não no eleitorado, mas sim nos candidatos. Nem sempre os efeitos são positivos e muito menos o que se vê nestas amostragens reflete-se nas ruas. A última pesquisa do Ibope sobre as eleições do Rio foi um derradeiro balde de água fria para a dupla Rodrigo Maia (DEM) e Clarissa Garotinho (PR). Pior que a disparada de Eduardo Paes (47%) foi a excelente ascensão de Freixo (Psol) que subiu de 8% para 12%. Os coordenadores de campanha de Maia, que estacionou em 5%, demonstram sentimentos de total constrangimento e desânimo.

Aqui pela Baixada, em Duque de Caxias, as pesquisas que hoje apontariam um segundo turno entre Washington Reis (PMDB) e Alexandre Cardoso (PSB) não convencem nem mesmo as coordenações de campanha destes dois. Isso se deve ao fato de que tais pesquisas não levam em conta o fator “corpo-a-corpo” e nisso, o atual prefeito Zito (PP) parece continuar imbatível. Suas caminhadas continuam a arrebatar milhares de pessoas e assustar os adversários. Além disso, até mesmo o crescimento tímido (porém constante) de Dica (PSD) e Samuquinha (PR) preocupam e muito Alexandre Cardoso, que não consegue decolar mesmo com um alto investimento em propaganda eleitoral. Já a preocupação de Washington Reis está no fato de não disparar para uma vitória direta em primeiro turno, o que significa que um equilíbrio dos índices pode levar Zito ao segundo turno e aí, pesquisa nenhuma seria capaz de apontar com precisão um vencedor.