Sem investimento, não há paz!

Em 1993, no governo do presidente Álvaro Uribe, a Colômbia sofreu uma verdadeira revolução de pacificação. A taxa de homicídio na capital era de 80 por 100 mil habitantes. Medellínm, outra cidade violenta, teve uma redução, desde o início dos anos 90, de 360 homicídios por 100 mil habitantes para 39. O responsável por fazer a cidade de Bogotá, antigo sinônimo de violência, virar exemplo mundial em segurança pública, Hugo Acero esteve no Brasil em 2008 e nas palestras que proferiu, nas entrevistas que concedeu, sempre colocou com muita tranquilidade a receita que deveria ser seguida por cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro.

 É certo que as Unidades de Polícia Pacificadoras-UPPs são um Programa que tem resultados. Mas a prática vivida pelos cidadãos fluminenses e o exemplo exitoso de nosso vizinho colombiano mostram que as UPP’s por si só não são o fim, mas apenas o meio. Meio de levar a essas comunidades a presença do Poder Público com Políticas Públicas permanentes. Segurança sem saúde, educação, qualificação de mão de obra, investimento em infra-estrutura é como  água escorrendo morro abaixo.

E pior, estamos assistindo a um movimento migratório de facções criminosas, que, uma vez desalojadas de uma comunidade, muda-se para outra, sobretudo para a Baixada Fluminense. Perguntado  sobre a fórmula de sucesso da pacificação feito em seu País, Hugo Acero enumerou, com muita simplicidade, as ações tomadas pelo governo: combate à corrupção policial aumentando os salários, colocando policiais nas universidades onde se forma a elite civil e quintuplicando  os investimentos no setor. Porém o ex-secretário, apesar de reconhecer a política de enfrentamento adotada no Brasil como sendo parte de um projeto, lembra que não adianta entrar só com a polícia.

Queremos saber quantas escolas estão sendo construídas nos locais de violência, quantos hospitais estão tendo sua capacidade de atendimento aumentado nas áreas mais carentes, quantos cursos profissionalizantes estão abrindo vagas, como está a coleta de lixo nesses redutos? E só conseguiremos atingir um estágio de cidadania permanente se tivermos os Governos Federal, Estadual e Municipal, não só com a responsabilidade de invadir áreas de violência, mas levar junto uma invasão de justiça social através da educação e saúde.