Forum Permanente

Forum PermanenteGEIZA ROCHA é jornalista e secretária-geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro Jornalista Roberto Marinho. www.querodiscutiromeuestado.rj.gov.br

Educação: compromisso de todos

Ao ser reempossado no primeiro dia de 2011, o governador Sérgio Cabral firmou o compromisso de colocar o estado entre os cinco melhores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O programa de metas, que ainda será divulgado, é inspirado no modelo adotado pela Segurança Pública e tem como foco a meritocracia e a gestão eficiente dos recursos humanos e financeiros.

Não há como negar que a Educação é um dos maiores gargalos do desenvolvimento do País. Com mais de um milhão de alunos na rede estadual espalhados em suas 1.693 escolas, o Rio de Janeiro tem pela frente enormes desafios: a valorização dos professores, a melhoria da infraestrutura das escolas, ampliando vagas no período diurno, e a retenção dos estudantes.

Dados da pesquisa "O aluno do ensino médio público estadual - Percepções, hábitos e expectativas", do Instituto Mapear, feita com quatro mil alunos de mais de cem escolas do estado entre 2008 e 2009 mostram que para 85% dos estudantes, uma pessoa que conclui o ensino médio "tem mais conhecimento"; para 11%, a única vantagem é o diploma; para 4%, não há qualquer vantagem. De todos os dados da pesquisa, este é o um dos mais relevantes, porque aponta o baixo índice de expectativa que o estudante tem ao ingressar na rede.

É preciso levar para a escola o que acontece no mundo, na cidade e no bairro. Instigar os estudantes a permanecerem em sala de aula e principalmente, a buscarem a excelência. Sem um plano de metas e uma gestão profissional talvez fosse impossível começar. Mas sem o compromisso de todos os envolvidos, dos professores, políticos, empresários, cidadãos, certamente não obteremos o sucesso também. Por isso é importante arregaçarmos as mangas, olharmos o plano e buscarmos ações complementares dentro de nossa esfera de atuação para que este desafio se transforme numa oportunidade de realizarmos mais este salto de qualidade.

O valor patrimonial da informação

Em 2000 o Futuro estava na Internet. O mercado que se abria para profissionais e estudantes de Jornalismo com a explosão dos sites de notícia representava uma esperança frente às crises pelas quais passavam os jornais. Era impossível não aderir às tecnologias e à velocidade de sua evolução para entrar no mundo do trabalho. Neste contexto, abriam-se janelas para que pudéssemos olhar o que acontecia.

Mais do que um site segmentado e especializado, que traz as novidades deste mundo, ele na época já era um espaço vivo de debates e troca de informação, que reunia pessoas de todo o País em uma lista de discussão, sempre ativa e interessante. E eu, ávida por conhecer este mundo, acompanhava pela telinha do meu computador as últimas novidades e as dúvidas e questionamentos que até hoje são atuais como, por exemplo, se os sites de informação devem restringir o conteúdo online apenas a assinantes ou deixá-lo aberto a todos os internautas.

Como é impossível falar do projeto sem citar o autor, devo dizer que sou uma privilegiada. Ao conhecer um estudante como eu à época, pude sair da posição de mera espectadora e experimentar a Internet e todas as suas possibilidades.

Naquele espaço, fui atrás do que me fascinava na rede – a diversidade de usos possíveis, o encurtamento das distâncias, o potencial que as novas formas de comunicação via chat traziam ao repórter – e relatei a experiência de quem usava a internet como fonte de informações para o trabalho cotidiano. A forma como nós, comunicadores, nos apropriamos desta tecnologia, agora inexorável, foi exposta naquelas entrevistas.

Numa outra ocasião, propus ao editor fazer uma série de entrevistas sobre de que forma o Terceiro Setor construía suas redes usando a tecnologia da internet para atender às demandas sociais. Olhando em retrospecto, acredito que deixamos registrada a história recente da interação homem-tecnologia e os seus diversos usos na comunicação.

Bem... os anos passaram voando. Hoje assistimos a fusão das redações online e impressa nos grandes jornais, a emergência das redes sociais a revolucionar a forma de lidarmos com a informação e é impossível ficar alheio às diferentes mídias que nos obrigam a estar informados e conectados 24 horas por dia. Afinal, em poucos minutos, tudo pode mudar...

A sobrevivência do Jornalista neste mundo que já se anunciava veloz e frenético naqueles idos de 2000, não é apenas motivo de comemoração, mas é a prova de que o Futuro chegou para aqueles que souberam se adaptar às mudanças impostas pela tecnologia. E, mais do que isso, ele é Presente para quem tem a oportunidade, ainda hoje, de conhecê-lo e de ver o mundo pela janela que foi aberta. A tecnologia tornou mais presente e real em nossas vidas o conceito de patrimônio imaterial.

Se ainda hoje os fenômenos da natureza levam o que o homem constrói e causam desespero, quando a bateria pifa, o HD queima ou o chip do celular se perde, sofremos esta mesma sensação ao ver que parte do que acumulamos (sejam informações, arquivos de texto ou telefones e e-mails trocados ao longo da vida) foi embora. Fiz esta comparação um pouco radical para concluir este artigo dizendo que nossas contas bancárias não são milionárias graças à Internet, mas o patrimônio que representa é incalculável. E que, para mim, fazer parte desta história, é sinônimo de riqueza. Afinal,o que levamos da vida é o que vivemos. E ser livre para decidir o rumo que vamos tomar numa entrevista ou para ver publicado na telinha o fruto de um trabalho que pode servir como referência para quem está do outro lado do mundo, é ouro puro!