Alerj

Jorge PiccianiJorge Picciani, deputado estadual (PMDB), é presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj)

Este fim de ano é especial. Não só porque antecede uma grande mudança em minha vida, como também pelas mudanças que gerou na de milhares de pessoas. Pela janela, o que vislumbro é um horizonte repleto de oportunidades e desafios. O bem está vencendo, e evitar retrocessos neste momento é fundamental. Pela política, podemos fazer muito. E é por isso que continuarei me dedicando a ela.

A partir de fevereiro do ano que vem, não estarei mais na Assembleia Legislativa. Após 20 anos de sucessivas eleições para deputado estadual, de atuar nas principais funções do Legislativo, vou para outra trincheira, a da organização partidária. Estarei à frente do PMDB do Rio cuidando da sucessão municipal, reformulando o partido eauxiliando o governador Sérgio Cabral a levar à frente os projetos de segurança e de infraestrutura que estão ajudando a mudar a cara de nosso estado.

O Rio de Janeiro aprendeu que o alinhamento e o bom relacionamento entre os poderes federal, estadual e os municipais são fundamentais para o desenvolvimento. Ao reconhecer e aplicar isso, avançamos e conseguimos tirar do papel uma série de investimentos e projetos que se arrastavam há anos, como o Arco Metropolitano e a revitalização do Porto do Rio, por exemplo. E fomos além: conseguimos trazer paz às comunidades com a política da pacificação e vimos o sorriso, que só ela pode proporcionar, no rosto das crianças. O mercado reagiu a tudo isso gerando empregos e ampliando os investimentos. A construção civil e as indústrias petrolífera e naval, por exemplo, comemoram os números alcançados este ano. Voltamos a crescer!

É momento de renovar as energias e mergulhar de cabeça neste mundo de desafios que nos aguarda. Coragem, mudança e paz são as palavras que 2010 somou ao nosso vocabulário. Que 2011 nos brinde com muitas outras novas palavras e realidades!

Os relatos sobre a vida no Complexo do Alemão após a retomada do território pelo Estado, emocionam a todos. Não é apenas paz que se respira agora, após décadas de domínio da bandidagem. Junto com a paz, chegam o desenvolvimento, as oportunidades, a presença do Poder Público. Num ambiente deflagrado de guerra, não só os negócios migraram, como as próprias estruturas do Estado tinham dificuldade de se fazer presentes.

O caminho para a paz perene é longo e cheio de desafios, mas o fato de a polícia ter reagido aos ataques sistemáticos ocorridos nos dias anteriores em toda a cidade fez com que o cidadão retomasse a confiança no estado como único detentor do monopólio da força. E deu um rumo aos investimentos de mais de R$ 730 milhões do PAC, que vinham sendo feitos nas 14 comunidades que integram o Complexo. Iluminação, saneamento, pavimentação, novas moradias, escolas técnicas, postos de saúde e o teleférico agora se estabelecem como marcos de uma nova realidade em que é possível sonhar. E viabilizam, ainda, a continuidade destes investimentos, com R$ 400 milhões previstos pelo PAC 2 só na Vila do Cruzeiro. Este sentimento, tão bem traduzido pela imprensa em sua cobertura diária, tem contribuído para a legitimidade das ações dos policiais e sido determinante para o sucesso da ação.

A política de pacificação já havia demonstrado o seu potencial de transformação não só da vida dos que vivem nas comunidades pacificadas, mas de todo o entorno. Talvez por isso que, no momento crucial em que as forças de segurança decidiram retomar o Alemão, tenhamos conseguido o apoio imediato da Marinha (fundamental para o sucesso da operação) e a adesão do Exército. A união, que já havia demonstrado sua força em outros episódios, neste caso da segurança pública foi além, gerando um otimismo como há muito não se via na cidade e no estado.

A guerra será longa e está só começando. Mas, sob o olhar vigilante da sociedade, temos mais chances de vencê-la. A hora é de avançarmos para garantir um futuro melhor para esses que estiveram abandonados à sua própria sorte por tanto tempo. É hora de acreditar e se unir. Pois sem segurança não se prospera. E, sem esperança, não se vive. Acreditemos. E vamos à luta!

Jorge Picciani é presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.